Feminismo e uma outra forma de olhar o próprio corpo tem mudado a maneira como nos relacionamos com ele. As empresas têm que entender essas mudanças.



Foto por Yayan Sopian no Unsplash

Patricia Sant’Anna

Acabamos de terminar o Outubro Rosa, mês em que há um esforço global para o diagnóstico precoce do câncer de mama, uma das causas que mais mata mulheres no mundo (é importante destacar que, embora a doença também atinja homens, em minoria, a motivação das campanhas globais é só falam com mulheres cisgênero, o que poderíamos considerar um erro..). Não apenas o câncer de mama é alvo da campanha, mas também todo o espectro que está em volta da saúde das mulheres, do cuidado consigo mesmas e conhecimento do próprio corpo. Não basta promover auto-exame e mamografia apenas durante os 31 dias de outubro: é preciso olhar a saúde feminina de maneira holística.

Temos duas frentes principais que fomentaram esse debate sobre wellness feminino: (1) a busca por qualidade de vida (saúde, felicidade, harmonia, etc.) e (2) o feminismo engajado (especialmente o que se propaga na internet). Sobre esse segundo, temos visto uma nova forma de olhar para a saúde e bem-estar femininos nos último anos. O feminismo tem repensado não apenas os interesses das mulheres e a equidade de gênero, mas também retirado, gradualmente, vários tabus em relação ao corpo feminino, desde a contracepção até a sobrecarga de estresse que as mulheres têm em comparação aos homens, por coordenar equilíbrio do lar e trabalho, muitas vezes, totalmente sozinhas.

O motivo desta ampliação de agenda e foco em falar sobre o corpo e sua saúde, tem relação direta com o empoderamento que a autoconsciência do corpo dá às mulheres. Por isso, o Wellness feminino tem a ver com a não alienação em relação ao corpo e à saúde de mulheres.

Mas o que seria, efetivamente, Wellness? É um comportamento que é fundamentado na busca por uma vida sã e serena. Obviamente, como qualquer outro comportamento no mundo capitalista, torna-se rapidamente um comportamento de consumo, que compreende uma série de indústrias e empresas de diferentes setores – de cosméticos e beleza ao turismo, passando por academias, moda e muito mais –, todas essas interconectadas, e oferecendo soluções para o bem-estar. Embora discutido desde os anos 1980, como uma espécie de resposta ao cotidiano cada vez mais estressante do trabalho e da vida urbana, hoje a ideia de Wellness se torna mais disseminada, e é, definitivamente, uma potência de consumo extremamente relevante no mercado geral, e na indústria criativa em específico.

Saúde das mulheres: sobre engajamento, informação e disseminação de novos olhares sobre o corpo.

Se durante muito tempo muitas mulheres foram educadas a calar sobre o corpo (e a calá-lo para si própria), hoje, felizmente existe um movimento em direção a derrubar velhos tabus em relação à saúde feminina. No Brasil, podemos ver esse movimento em mídias sociais, ligados, como dito anteriormente, ao ativismo e ao feminismo. Algumas profissionais de amplo alcance em mídias sociais servem de exemplo.

A @ginecologistasincera, de Santa Catarina, posta tanto sobre dúvidas comuns de ginecologia que recebe no consultório e na internet quanto se posiciona politicamente em tudo o que impacta a saúde e bem-estar femininos - como machismo estrutural, violência doméstica, Gaslighting (violência psicológica), pedofilia, estupro, capacitismo, entre vários outros temas. Um dos desafios da conta e outras semelhantes - recomendamos também @valeska.modesto.saudedamulher - é desmistificar preconceitos dos próprios profissionais da saúde, que muitas vezes reproduzem padrões antiquados e, sim, ancorados no machismo estrutural. As próprias seguidoras da conta relatam experiências com médicos, denunciam violência obstétrica e se abrem sobre temas que antes ficavam fechados apenas entre as paredes dos consultórios e salas de emergência.

Outra conta que discute a saúde feminina de maneira bem ampla é @vaginismotemfim. Duas sexólogas derrubam mitos e esclarecem dúvidas em relação ao vaginismo. Relatam motivos psicológicos a fisiológicos – o vaginismo pode ser resolvido, em grande parte, em fisioterapia – e derrubam velhos mitos (“é só relaxar”, “é frescura” etc.). Também devemos destacar as fisioterapeutas que explicam e indicam a fisioterapia pélvica como meio não só de melhorar os vários aspectos da vida sexual e reprodutiva feminina – um exemplo de profissional ativa online é a @fisiolah, de Campinas-SP – mas na vida cotidiana das mulheres, por exemplo, ao ter a musculatura pélvica flácida, uma mulher pode ter escapes de urina ao espirrar ou tossir.

Por fim, mas não menos importante, a obstetrícia é outro campo da medicina que tem tabus desmontados, gradualmente, mas em plena evolução. Uma busca por partos humanizados, normais, é crescente. Partos naturais e cuidado holístico com o corpo da parturiente são cada vez mais estimulados. Essa nova obstetrícia também se refere a voltar a tempos antigos e recuperar uma sabedoria feminina, por isso, as doulas são cada vez mas requisitadas para acompanhar partos - a busca pelas medicinas tradicionais é muito importante no movimento Wellness. Bem como entender a diversidade das mulheres, seus corpos e suas culturas corporais. Todos esses exemplos apontam para uma maior consciência e cuidado das mulheres e outras pessoas com vagina com o próprio corpo.

Agora o que isso tem em relação ao mercado? Tudo! O mercado responde com soluções pelas quais o público demanda, pede e deseja. Com isso, as mulheres querem outras formas de resolver seu dia-a-dia com seu corpo. Sendo assim, a concepção de corpo está se transformando, e as necessidades de como vivenciá-lo também.



Wellness e empoderamento: exemplos

O mais fácil aqui seria começar pelas empresas que fazem moda fitness que promovem o wellness, neste caso, os produtos tentam ser minimamente sustentáveis e o discurso, a comunicação, é que realmente fala de wellness, enquanto as peças de roupas para práticas esportivas seguem dentro de padrões que já conhecemos inovando em materiais (como linho, algodão ecológico, tecidos reciclados etc.). Por isso, buscamos por empresas que corajosamente saíram do discurso e deram exemplos de soluções inovadoras e que estão alinhadas com os valores das mulheres empoderadas do nosso Brasil.

A menstruação é um aspecto da saúde feminina recheado de tabus. Apenas recentemente se tem começado a falar de maneira mais livre e aprofundada sobre o tema. Aliada a sustentabilidade, soluções não-descartáveis como os copos menstruais, calcinhas absorventes e absorventes que podem ser reutilizados ganham cada vez mais adeptas. Falar sobre o ciclo que ocorre mensalmente no corpo de uma mulher, é algo cada vez mais, e desmistificado. E que ganha novas soluções e serviços.

No Brasil, as marcas Pantys e Herself saíram na frente com um produto apropriado para quem, culturalmente, esta acostumado a absorventes externos. Ambas, iniciadas em 2017, entenderam o descontentamento das consumidoras com o que já havia de existente no mercado (caros, desconfortáveis e nada sustentáveis absorventes convencionais). Embora os produtos de ambas as marcas custem R$90 em média, muito é justificado no comparativo entre o tempo de duração da calcinha (3 anos) e a quantidade equivalente de absorventes descartáveis que a cliente teria que comprar no lugar. A Pantys ainda tem outros produtos focados no Wellness feminino, como os sutiãs para amamentação absorventes e moda praia.

A Pantys também inovou na comunicação, estabelecendo novos parâmetros para as antiquadas propagandas de absorventes. Baseada 100% na internet - e onde mais encontrar as gerações Y e Z? - ela mostra mulheres com vários tipos de corpos. Não mais os clichês (mulheres andando na rua e sendo admiradas por homens ou praticando atividades ao ar livre com calças de cor clara…), mas sim mulheres confortáveis, em ambientes internos, de calcinha e camiseta, ouvindo música ou usando o computador. Em muitas imagens, essas mulheres estão juntas, entre amigas. Na demonstração de uso do produto, a cor azul do liquido derramado foi substituída por um liquido vermelho - e qual é o problema com mostrar algo parecido com o sangue menstrual, afinal? Isso tudo foi uma mudança na mentalidade das mulheres que as empresas de setor demoraram para acompanhar.


Ainda destacando uma outra iniciativa da Pantys, essa marca criou um kit para a primeira menstruação. Essa ideia é algo muito inovador, pois atende a ideia de não construir uma relação de medo e vergonha no jovem corpo de mulher que está se formando. Mas sim uma abordagem de felicitação, de boas vindas ao seu novo momento de vida.

A gigante Johnson & Johnson, por meio de sua marca Sempre Livre®, se une a Pantys e desenvolve a versão mais barata da calcinha absorvente que pode ser reutilizada. Demonstrando que os grandes players do mercado estão de olho nas soluções dadas por startups que resolvem de maneira eficiente as novas necessidades das consumidoras.



Uma das imagens da Pantys no Instagram.

Outras marcas cuidam de prover alternativas aos absorventes descartáveis, utilizando estratégias parecidas. A Korui oferece tanto calcinhas e coletores menstruais quanto absorventes de pano (ultracoloridos) que podem ser lavados e reutilizados. Bela Gil, que promove o lifestyle saudável e sustentável (wellness), também tem sua própria linha de absorventes e calcinhas reutilizáveis.

A grande varejista de moda Lojas Marisa, no inicio de outubro, com a motivação do Outubro Rosa, lançou um exemplo de campanha mais efetiva sobre a temática, a Marisa lançou o Sutiã do Recomeço. É um produto feito exclusivamente para mulheres mastectomizadas que usam prótese móvel, focada em seu conforto e bem-estar, e, efetivamente, na recuperação da auto-estima feminina.




Wellness feminino é conhecimento e consciência sobre o próprio corpo. Empodera as mulheres e muda sua visão sobre como elas querem estar e se portar socialmente. Isso muda diretamente seus desejos de consumo. Não nos esqueçamos: o consumo é uma atuação cultural das mais relevantes em nossa sociedade. Portanto, uma mudança comportamental exige novas formas do mercado lidar com essa realidade. Se a sociedade, de estrutura tipicamente patriarcal, quer manter as mulheres ignorantes e ainda se agarra a mitos, a informação disseminada por profissionais, o feminismo ativista nas redes sociais, a busca por uma vida sã e harmônica transforma o cotidiano, trazendo uma nova realidade em que as mulheres tem orgulho de seus corpos e da vida que nele pulsa.

Se vocês querem uma dica, deixamos, na verdade, provocações: De que maneira as empresas e marcas da indústria criativa, das mais variadas frentes, podem ajudar na autoconsciência do corpo para mulheres? Como ajudá-las a construir o seu próprio bem-estar?

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Tatiana Brugalli, da Aldeia



A 16ª edição do Seminário de Tendências aconteceu em outubro de 2019 e, desta vez, com um sabor todo especial: a última edição realizada em Campinas. Em 2020 os Seminários serão na terra da garoa, pois a Tendere está mudando sua sede para São Paulo. O evento, que é semestral, trata da prospecção de tendências criativas, de mercado e de comportamento - nesta edição, para Outono-Inverno/2021. Além do comportamento de consumo e seus desdobramentos na indústria criativa, foram abordados temas relevantes para entender os cenários do próximo biênio: moda e inteligência artificial, psicologia econômica e masculinidades contemporâneas. A seguir, um resumo dos principais conteúdos abordados no 16º Seminário de Tendências.

O Seminário de Tendências é referência nacional em pesquisa de tendências para o Brasil e Hemisfério Sul, especialidade da Tendere desde sua fundação, em 2011.


Perspectivas econômicas

O crescimento global continua diminuindo nestes próximos anos, segundo o Banco Mundial. O enfraquecimento do investimento em economias emergentes e em desenvolvimento (EMDEs) está reduzindo as perspectivas de crescimento potencial.

Momento fraco e riscos elevados, afirma Banco Mundial

Desaceleração da economia mundial

A previsão do FMI é que a economia mundial crescerá somente 3%, a menor taxa desde a crise de 2008. Um dos principais fatores desta desaceleração mundial é o chamado Efeito Trump. A retórica nacionalista e as medidas protecionistas aos EUA de Donald Trump causam contramedidas nos países afetados, o que desacelera gradualmente o crescimento de inúmeros países ao redor do mundo.

América Latina: semi-estagnação

As perspectivas regionais também apontam riscos e tendência descendente, devido a fatores externos e internos. Fatores externos como restrições comerciais entre as principais economias (inclusive dentro do Mercosul), o Efeito Trump e consequente desaceleração na China, maior destino de exportações do Brasil, Chile, Peru e Uruguai. Fatores internos como as crises de 2019 no Equador, Peru, Bolívia, Chile, Venezuela, Paraguai, Argentina e Brasil.

Brasil: incertezas e perda de credibilidade mundial

Segundo Monica de Bolle, pesquisadora do Peterson Institute de Washington, D.C., havia uma grande aposta de que o Brasil conseguiria atrair fortes investimentos estrangeiros quando o País sinalizasse que a agenda de reformas iria caminhar. Mas não foi o que aconteceu. A situação de países como o Brasil, que estão em uma posição complicada em relação à recuperação econômica e com a política não muito clara, têm espantado o investidor estrangeiro.

A economia brasileira desacelerou mais do que a média do mundo e da América Latina e Caribe, afirma FMI


Consumidor 2021

Geração Alpha

Nascidos entre 2010 e 2024, as pessoas dessa geração conhecem um mundo polarizado e são filhos, em sua maioria de pessoas Y, além de Z precoces e X tardios. Sua educação é cercada de diálogo, empatia, bem estar e sustentabilidade. Ainda é cedo para afirmações absolutas sobre comportamento, mas tudo indica que a Geração Alpha é caracterizada pela ética e transparência, com valores muito fortes, como a simplificação, pensamento em rede (co-tudo) e imediatismo (in situ). Sua relação com o corpo é de prevenção, a propriedade não é valorizada – estão acostumados com o compartilhamento – e objetos autônomos e inteligentes é algo natural – como a IoT (Internet of Things).

Cinco gerações economicamente ativas

Construtores, Baby Boomers, X, Y e Z são as cinco gerações que estão economicamente ativas – além da Alpha que também já consome, embora ainda não seja considerada ativa na economia. Cada geração nasceu num contexto e percebe o mundo a partir de referenciais próprios: tecnologias icônicas, TV e filmes, cultura popular, eventos marcantes, educação e canais de comunicação. Conhecer em profundidade as diferenças geracionais desenvolve mais tolerância, aspecto muito importante no mundo polarizado, além de ser positivo para os negócios. Cada faixa de idade tem um jeito típico de sentir, ouvir e ver o mundo. Quando as marcas realmente entendem toda a extensão disso, podem direcionar melhor suas estratégias de marketing, comunicação, relacionamento e vendas.

Conhecer os comportamentos típicos de cada geração ajuda a vender mais e se comunicar melhor.

A era dos solteiros

Cresce, no mundo e no Brasil, a quantidade de pessoas solteiras, especialmente em grandes centros. No Brasil, 54% da população é solteira e vive sozinha. Isso é consequência direta do crescimento do individualismo e, com ele, um novo conjunto de valores: anticonservadorismo, auto expressão, autoconhecimento, busca de independência e autenticidade. Em termos de consumo, seus principais gastos são com alimentação saudável, entretenimento e beleza/moda. 80% dos solteiros tem acesso à internet, 75% tem smartphones e 97% está nas redes sociais. Solteiros costumam ser práticos, preferir experiências, ter casa pequena, morar perto dos locais importantes para seu dia-a-dia, ter guarda-roupa consciente, comprar pequenas porções (não gostam de desperdício). São compradores exigentes, buscam conveniência e alta qualidade.

Marketing: qual a bola da vez?

Nos últimos nove anos, as palavras-chave para o marketing vem girando em torno de generosidade (2010), engajamento social – agir em prol da sociedade (2013), guerrilha – empoderam e são subversivas no seu jeito de estar no mundo (2016), transparência (2017) e iniciativas que mudam o mundo (2019). Todas essas formas continuam válidas para os próximos anos, se sobrepondo ou se alternando, nas estratégias das marcas. Os comportamentos consolidados e que também continuam válidos nos próximos anos são: propósito, ética e sustentabilidade; multiculturalismo e diversidade; economia criativa; economia do compartilhamento e economia circular.

Economia da reputação num mundo híbrido

Tudo é avaliado constantemente pelos mais variados canais – quem lembra da série Black Mirror? Marcas podem ampliar ou retirar clientes de seu radar, como já faz o Uber, por exemplo. A economia da reputação também é facilitada pela fusão do on e off, com a vida social nas redes sociais, vestíveis e implantáveis, educação híbrida, avatares e holografias.

Big Data + Small Data

Big Data foca no cruzamento de dados estruturados e não estruturados, considerando o volume de dados, a variedade de tipos de dados e a velocidade com a qual eles são (ou devem ser) minerados. Já o Small Data é focado em informações que respondem a perguntas específicas e contextos singulares, explorando detalhes por meio de uma mineração muito estreita. É um jeito eficiente de colher dados qualitativos. Utilizar as duas visões complementares, big e small, é de grande utilidade para os negócios.

Se Big Data fala sobre qual o tamanho de um segmento, por exemplo, Small Data ensina como se comunicar com este segmento.

Tendências para os Negócios

Considerando o cenário econômico e o comportamento do consumidor para o próximo biênio, fica evidente a necessidade de repensar a maneira como os negócios são conduzidos. Os principais aspectos envolvido são:

  • Desmaterialização: as pessoas cada vez mais não querem ter, mas sim usufruir. Isso exige nova visão de quase todas as empresas, sobre como atender o cliente e internamente na organização: o que realmente precisamos ter?

  • O cliente no centro de tudo: o human-centered design ensinou o quanto é mais lucrativo escutar, entender e se colocar no lugar do cliente para propor as melhores soluções.

  • Inovação, inovação e mais inovação: não importa o seu tamanho, acomodar-se em sua posição (mesmo quando é de liderança) é um jeito de morrer.

  • Mindset de startup: independente do tamanho e a área de sua empresa.

  • Customização radical das soluções: clientes/consumidores/compradores querem facilidade extrema e conveniência. Empresas querem vender. Unir essas pontas com customização faz todo o sentido.

  • Escritório flexível: co-working, home based, trabalho distribuído.

  • Pensamento estratégico flexível: o momento requer estudo atento da realidade, disposição para tomar decisões com agilidade e mudar de direção. Planejamento e criatividade na gestão são fundamentais.

V.U.C.A, F.U.D e amor

Vivemos em um mundo cada vez mais Volátil, Incerto, Complexo, Ambíguo (VUCA) e isso causa, entre outras coisas, polarização de opiniões e ações que são meio apocalípticas, pois o cenário é de Medo, Incerteza e Dúvida (FUD). Podemos ser muito inteligentes por um lado (sociedade 5.0 já começa ser debatida), mas muitas pessoas não se sentem e de fato não estão preparadas para viver neste mundo complexo. Basta observar a quantidade crescente de reações violentas e uma ideia de que devemos nos reunir em grupo para lutar contra todos que pensam diferente de nós. E se o caminho for o amor? Um mundo mais amoroso e empático gera diálogo, criação coletiva e colaboração.

Varejo e embalagens reinventadas

A tendência para o varejo é ter lojas menores e funcionais, menos impessoais e mais próximas/ humanas, com tecnologia para ajudar de verdade (não apenas um penduricalho) e ecofriendly. Um lugar gostoso de estar. Para pensar embalagens: evitar cada vez mais o plástico, buscar soluções para uso e descarte – sustentabilidade e circularidade, repensar sua funcionalidade – indo além de proteger e comunicar sobre o produto.

Psicologia econômica: uma nova visão da economia

Victor Barbosa, gestor financeiro da Tendere, educador e fundador da GFC - Gestão Financeira Criativa, apresenta uma visão contemporânea sobre economia comportamental.

A clássica visão do Homo Economicus (Econos), que toma decisões exclusivamente pela razão e interesse pessoal, está sendo substituída por uma abordagem que leva em consideração fatores cognitivos, emocionais, culturais, sociais e psicológicos nas decisões econômicas das pessoas. Diversos estudiosos exploram essa visão menos racional da economia, desde o século XIX até ganhadores recentes de Prêmio Nobel de Economia. Um deles é Daniel Kahneman, vencedor do Nobel em 2002, que parte de dois sistemas de pensar, Sistema 1 (rápido, intuitivo, automático) e Sistema 2 (lento, analítico, deliberado), para construir heurísticas e vieses que demonstram nossas tomadas de decisões e como elas determinam nossa forma de consumir.

A psicologia econômica explica, entre outras coisas, como existem 23 milhões de pessoas endividadas no Brasil – gastando muito mais do que ganham, tantas pessoas iludidas em pirâmides financeiras e porque tanta gente continua colocando seu dinheiro na poupança – uma péssima opção que, muitas vezes, rende abaixo da inflação. O tema é extenso, fascinante e de aplicação prática imediata – tanto quando somos consumidores (evitar cair em pegadinhas de preço e promessas ilusórias) como quando somos empreendedores (atuar de maneira ética e inteligente no estímulo ao consumo).

Fronteiras borradas: masculinidades contemporâneas

Helder Oliveira, pesquisador de arte contemporânea e CEO da Tendere, traz reflexões poderosas sobre a necessidade do homem heteronormativo repensar seu papel neste momento em que há cada vez mais debates sobre gênero, etnia e sexualidade.

A ideia de masculino é uma construção sociocultural ainda muito associada a uma série de características que podemos chamar A CAIXA DOS HOMENS: força física, coragem, estar no controle, ativo, sexualmente experiente/ sempre pronto/impositivo, provedor, não demonstra emoções e nem chora, competitivo, não comete erros, bem sucedido e dominante em relação à mulher. Há alguns anos este estereótipo de masculinidade está em crise, com o machismo e a masculinidade tóxica colocados em cheque num mundo em que cresce a busca pela igualdade de gêneros.

As artes também abordam, e não é de hoje, a representação masculina “típica e atípica” na pintura, escultura, dança e cinema, questionando a imagem e os atos ditos masculinos. Cresce no mundo a quantidade de grupos de homens formados para entender, afinal, o que significa ser homem nos dias de hoje.

Os robôs podem se tornar designers? Moda e inteligência artificial

Vivian Berto, docente e pesquisadora da Tendere atualmente fixada em Berlim, começa falando do imaginário de inteligência artificial e do que realmente ela é - e como já está mais presente nas nossas vidas do que normalmente imaginamos.

Na indústria da moda, a AI também é uma realidade na confecção e na automação de muitos processos produtivos, apesar de grandes contingentes de mão-de-obra barata sustentarem o setor. No varejo, a inteligência artificial tem sido usada na gestão do ciclo de vida dos produtos, no enriquecimento da experiência do cliente, na personalização e na hiperpersonalização.

No design de moda, já há casos de criação auxiliada pela inteligência artificial, com colaboração humano-máquina para ampliar a produtividade e a eficiência no desenvolvimento de coleções. Uma futura era generated by ao invés de designed by será possível com aprendizado mútuo (como designers de moda podem encontrar uma boa taxonomia e métricas quantificáveis para ensinar a máquina a utilizar e devolver informações aplicáveis), design a partir de dados e exploração de falhas/erros nas respostas das máquinas (glitch).



Formação de gosto

Gosto é a base para a curadoria precisa

Entender a formação de gosto é essencial para quem cria e produz, especialmente nos setores de moda (têxtil, confecção, couro-calçadista, joias, bijuterias e beleza), arquitetura (projeto, decoração, acabamentos) e design (visual, produto). A formação de gosto é uma área de conhecimento ligada aos conceitos de estética, civilização e cultura. Enquanto a civilização é mais aberta e relacionada à tendência, a formação de gosto é mais fechada e relacionada à cultura. O gosto merece especial atenção da indústria criativa por se tratar de uma percepção do mundo a partir de valores simbólicos e suas implicações no consumo. Não pense em classe social ou classe de consumo de maneira excludente, pense em formação de gosto para criar articulação e pontes entre diferentes elementos que criam a sensibilização estética de seu grupo/segmento.

E como, na prática, um negócio aplica e usa a ideia de formação de gosto? Para criar e transmitir sua mensagem num formato já conhecido e que faz sentido para o público – seja em conceito, produto ou na camada de marketing. Só assim o público aprenderá sobre a marca e compreenderá que o produto entrega não só benefícios, mas exatamente o que ele (cliente/comprador/consumidor) quer demonstrar ao mundo sobre sua própria personalidade e valores.

Gosto não se discute? Na indústria criativa, gosto se discute sim! Gosto é base para um consumidor / cliente / comprador parar e pensar: “gostei, acho que vou experimentar...” ou “gostei, vou comprar!”.

Grupos de Gosto do Hemisfério Sul

A metodologia desenvolvida pela Tendere parte do estudo da contemporaneidade para compreender tendências globais e como aplicá-las nas culturas locais. Nossas pesquisas abrangem todo o Hemisfério Sul: além do Brasil e da América do Sul, também inclui Oceania, África Subsaariana, América Central (incluindo Caribe) e Sul da América do Norte (México e os estados do Sul dos Estados Unidos).

Pop Tropical

  • Bases de cultura popular e sofisticação com opulência, exuberância, sensualidade e uma pitada de excentricidade. É pura ousadia e autenticidade. Não tem medo de ser ela mesma. Pelo contrário, tem orgulho e quer mostrar isso sem medo.

Latino Urbano

  • Une a ousadia sexy latina com o cosmopolitismo urbano de quem vive em grandes cidades (ou deseja viver). Precisa mostrar a todo tempo que está antenada com tudo, que conhece o último grito da moda e do design.

Karioka

  • Base de um estilo natural e casual. Ser solar e ter bossa é o horizonte de sua aparência. A ideia é não demonstrar esforço para compor seu visual. Tem muita informação de moda, mas dilui em looks descomplicados e naturalmente sexy.

Sofisticado

  • É uma pessoa iniciada em moda, design, arquitetura e arte. Acompanha de perto e convive com essas manifestações no seu dia-a-dia. Suas composições são conscientes porque que tem repertório. O design é o que realmente interessa.

Tendências Criativas Outono-Inverno/2021



POP TROPICAL OUT-INV/21: MIX ÉTNICO MAJESTOSO

Com inspiração em culturas próximas e distantes, é uma viagem por povos e sua materialidade, dando destaque para texturas, estampas vivas e complexas e manualidades.


LATINO URBANO OUT-INV/21: UM ROMANCE COM KURT

O mix de referências é contraditório de propósito: romântico com pitadas de rock e perfume de leve do sportswear. A tendência traz um contraponto constante entre pesado e leve.



KARIOKA OUT-INV/21: NÔMADE NATURAL

Com fortes referências às texturas e formas da natureza, essa tendência fala sobre uma viagem que vai das florestas de eucalipto da Austrália ao semiárido do Brasil. Vastidão, simplicidade, toque agradável e acolhedor.

SOFISTICADO OUT-INV/21: TRADIÇÃO FRAGMENTADA

Que a tradição está ruindo não é novidade, mas e quando as novas tradições já nascem fragmentadas? Essa questão é colocada como ponto de partida para propostas que desconstroem formas e maneiras de pensar a moda e o design.

Seminários Tendere 2020

A 16ª edição do Seminário de Tendências teve realização da Tendere, organização da Proimagem Eventos, patrocínio da Fedrigoni e apoio de Incamp, Inova, Ideia de Papel, Aldeia, M. Leitão, Tecof, Casa da Loise, GFC, Rubbo, MM da Moda, Go On Women, Proimagem Video Produtora, Gaia Via Gastronomia e Claudia Armbrust.

A próxima edição do Seminário de Tendências acontecerá em maio de 2020, na cidade de São Paulo, e tratará de panorama econômico, cenários futuros, comportamento do consumidor e formação de gosto para Primavera-Verão 2022.

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Exemplo de jaqueta da Patagonia feita com plástico reciclado.


Patricia Sant’Anna


Há duas semanas, discutimos aqui no blog o imenso problema do plástico. As quase 8 bilhões de toneladas de material já produzidas pela humanidade desde o início do século XX continuam ainda, de alguma forma, no ambiente, causando enorme impacto em aterros e nos oceanos. Enquanto instituições, governos, indústria e, provavelmente mais a frente de todos, os consumidores tentam procurar soluções para diminuir o uso deste material - principalmente no uso descartável - existem iniciativas que tentam prezar por reciclar o plástico. Lidar com o lixo que já está presente.


Especificamente na indústria da moda, o plástico tem um papel crucial, desde a composição dos tecidos e aviamentos até as embalagens e comunicação visual. Rever a relação dela com o plástico é essencial, ainda mais se falando de uma das indústrias de maior impacto ambiental no planeta.


Leia também a tentativa de acordo mundial da indústria da moda e governos, realizada na França ainda este ano.


A moda pode rever seu uso intensivo de plástico em várias de suas frentes. Uma delas é basicamente a reciclagem do material, para não buscar mais fontes “cruas” (petróleo) nas suas fontes naturais e reaproveitar o que já está causando impacto no ambiente. Outra seria a alternativa ao plástico na composição de tecidos, uma vez que o problema do microplástico nos produtos de vestuário (mesmo o reciclado) é invisível e extremamente nocivo. E, em terceiro lugar, acreditamos que o problema das embalagens também deve ser pontuado.


Empresas e profissionais de moda não podem mais fingir que o problema não existe, ou praticar o famigerado “greenwashing”. As soluções podem não ser perfeitas, mas é necessário buscá-las.


Reciclagem do poliéster.


Já existem no mercado há muito tempo estes materiais, como os tecidos de malha 100% poliéster feitos a partir de PET reciclado. Ou então novas roupas que surgem a partir de roupas usadas e já descartadas, com a finalidade de retirar o material de seu descarte e recoloca-lo no mercado, gerando menos lixo. As pesquisas da implementação da moda na lógica da economia circular, ou seja, do processo produtivo que não gera descarte, estão na mira de muitas marcas e empresas grandes. Desde que a Fundação Ellen McCarthur tomou a frente do debate, o tema tem sido cada vez mais tratado na moda. Empresas que não buscarem soluções no futuro próximo certamente ficarão para trás.


A Adidas, que está entre as marcas globais de sportswear, streetwear e footwear que causam grande impacto ambiental e social, tem tomado a frente de soluções sustentáveis. Este ano, foi lançada tanto uma coleção com tecidos sustentáveis (em parte reaproveitados), em parceria com Stella McCartney, quanto uma coleção de tênis feitos com plástico reciclado retirado dos oceanos. Todo o processo é divulgado pela marca para o consumidor.


A marca de sportswear/streetwear alemã tem os princípios da economia circular como norte das ações de sustentabilidade da empresa. Segundo o que James Carnes, diretor global de Brand Strategy, divulgou para a imprensa, que a Adidas estabeleceu três passos em direção ao futuro sustentável da marca: primeiro, e o passo em que estão agora, é criar produtos com lixo plástico reciclado. O próximo desafio é eliminar completamente o conceito de resíduos. Por fim, o último passo, é explorar maneiras de criar produtos que possam ser completamente recicláveis ou biodegradáveis.


A Patagonia é certamente a pioneira em primar por ações sustentáveis. Em 1993, a marca californiana lançou sua primeira jaqueta feita a partir de garrafas recicladas. Em 2011, sua provocativa campanha “Don’t buy this jacket” foi um exemplo ainda pouquíssimo seguido por marcas de moda - colocar a comunicação da empresa em foco no consumo desacelerado, no reuso e no reparo de roupas e itens que já estão no armário. Hoje, a Patagonia tem investido no posicionamento cada vez mais radical, seja financiando ONGs do setor, seja se contrapondo ao cinismo ambiental da administração Trump. A redução da emissão de carbono é um de seus principais alvos atualmente, com a CEO Rose Marcario, certamente de olho no Acordo de Paris.


A marca também tem como diferencial apontar quais são os erros que causam impacto ao meio ambiente em sua cadeia produtiva e o que está fazendo para combatê-los, algo que poucas empresas têm “coragem” para fazer. Um posicionamento semelhante tem a Veja (ou Vert Shoes, no Brasil), empresa franco-brasileira de produção de tênis sustentáveis. Colocar que a transparência é o primeiro passo da moda que tem como objetivo a sustentabilidade - o greenwashing não vai funcionar por muito tempo, aliás, não funciona mais, principalmente com o consumidor da geração Z, que é engajado, informado e ativista.


Microplásticos.


Mas o problema do poliéster na composição dos tecidos vai além da possibilidade de sua reciclagem. A indústria têxtil e confeccionista contribui de maneira significativa para a presença dos chamados microplásticos nos oceanos - minúsculas partículas que formam uma contaminação perversa e silenciosa (e contribui em maior parte para a Grande Mancha de Lixo do Pacífico, como mostramos no post anterior).


As roupas com poliéster na composição liberam micropartículas do material a cada lavagem. Com o descarte da água nos sistemas de esgoto, rios e, consequentemente, nos oceanos, contribui com a formação de cada vez mais camadas de plástico nestes ambientes. Ao contrário de materiais plásticos que podem ser separados e recolhidos, os microplásticos como os que provêm das roupas de poliéster dificilmente podem ser separados e recolhidos. É também uma ameaça concreta a saúde humana, uma vez que podemos ingerir essas partículas por meio dos peixes e outros animais marinhos que consumimos como alimento.





Deixarmos de usar roupas de poliéster, embora bastante desafiador (devido à sua resistência, praticidade e acessibilidade), seria uma das alternativas. Por outro lado, esta questão deve ser medida em relação ao uso de plástico reciclado na composição de novas roupas, como os exemplos da Patagonia e da Adidas. A questão da sustentabilidade é sempre causar o mínimo impacto possível, e não almejar o zero impacto. Tanto nos casos das empresas quanto dos consumidores, como diria o ditado, “o feito é melhor que o perfeito”: não buscar constantemente as soluções de mínimo impacto é que é o problema.





Materiais têxteis: propostas sustentáveis.


A reciclagem do plástico, embora necessária, só pode resultar no downcycling, ou seja, na diminuição da qualidade do produto original. Além disso, pelo mesmo motivo, o plástico pode ser reciclado somente duas ou três vezes, e depois será definitivamente descartado. No entanto, o mesmo não acontece com outros materiais têxteis. Algumas empresas investem na reciclagem do tecido de algodão, tanto para gerar menor descarte, quanto para tentar diminuir a produção do algodão desde o começo do processo - toda a cadeia produtiva das roupas de algodão tem em geral um gasto imenso de água, por exemplo.


Outras fibras, mesmo sintéticas, não são tão nocivas. Ao contrário do poliéster, a poliamida-6 pode ser reproveitada infinitamente, se devidamente isolada e passada por um processo de reciclagem química (e não a mecânica – que é mais barata e a única ainda utilizada no Brasil). Isso exige, é claro, preparo das empresas e investimento. Desde 2014, a empresa japonesa Asahi-Katie conseguiu pela primeira vez fazer a reciclagem do elastano, criando mais uma possibilidade de reaproveitar um material sintético bastante utilizado na indústria têxtil-confeccionista.


Mas, além da reciclagem, existem inúmeros tecidos que tentam substituir o uso de plástico devido à preocupação com microplásticos no ambiente. Algumas possibilidades são:


  • Liocel. A alternativa mais sustentável a viscose, feita a partir da fibra de bambu em ambientes controlados, existe há muito tempo no mercado e pode ser mais amplamente usada pela indústria da moda.

  • Fibra do abacaxi. A fibra e usada há séculos na região das Filipinas, mas no contexto do comércio colonial e das Revoluções Industriais ela perdeu espaço para o algodão, mais fácil de cultivar em quase qualquer microclima do mundo. Hoje, o uso da fibra do abacaxi torna-se uma possibilidade com ares tecnológicos, principalmente no exemplo do “couro” feito a partir deste material, intitulado Piñatex.

  • Seda vegana. A seda “vegana” - na verdade, um filamento com aspecto de seda produzido a partir da casca de laranja -, já é realidade em alguns produtos da Salvatore Ferragamo, por exemplo. Ela vem suprir a demanda do mercado de luxo por opções veganas, mas com aspecto nobre muito semelhante ao tecido original e sem a utilização de plástico.

O problema das embalagens.


Por fim, o problema do plástico se coloca também como um problema em relação às embalagens. Neste caso, é preciso pensar que existem duas frentes a se considerar: as embalagens B2C e as B2B. A primeira se refere a sacolas, caixas e pacotes de lojas físicas e online (e-commerces). A segunda, são capas protetoras, caixas, sacolas, cabides e outros acessórios utilizados pela indústria e o varejo para transportar, proteger e conservar os produtos. (observação relevante: embora tenhamos focado mais no vestuário, a indústria da beleza também tem um problema em embalagens, inclusive, de aumento do uso de microplásticos).


O problema do plástico descartável é uma questão que envolve qualquer indústria, de canudinhos a sacolinhas de supermercado. Algumas cidades, estados e até países vão fechando o círculo e proibindo cada vez mais o uso de itens de plástico descartável. Por exemplo, canudinhos plásticos não são mais permitidos em estabelecimentos comerciais nos estados de São Paulo, Mato Grosso do Sul e Rio de Janeiro. Algumas cidades brasileiras também o proíbem, como Fortaleza, Belém, Goiânia e Porto Alegre, para ficar só entre algumas capitais. No âmbito dos países, tanto o Canadá quanto toda a União Europeia planejam proibir completamente qualquer embalagem de plástico descartável até 2021 (depois de amanhã, isto mesmo).


A Fundação Ellen McCarthur e a ONU criaram este mês, pela primeira vez, um compromisso global com a diminuição do uso de plásticos descartáveis – você pode ler na íntegra aqui . Com a assinatura de 19 governos e mais de 200 empresas (que, juntas, representam aproximadamente 20% do plástico usado no mundo), a Fundação estabeleceu uma lista para identificar uso de embalagens de plástico (ou com o plástico como um de seus componentes) que são excessivas ou desnecessárias:


  1. Não é reutilizável, reciclável nem pode ser deteriorada em compostagem;

  2. Possui, ou sua produção exige, produtos químicos que têm risco significativo para a saúde humana ou ao meio-ambiente;

  3. Pode ser evitada (ou substituída por uma embalagem reutilizável) enquanto ainda mantém sua funcionalidade;

  4. Impacta a reciclagem ou compostagem de outros itens e

  5. Tem grande probabilidade de ser incinerada ou ser descartada no meio ambiente.

Pense nas embalagens e outros itens utilizados na sua empresa. Eles correspondem aos critérios acima? Talvez seja hora de mudar.


É claro que a mudança não é simples. Na NEONYT deste ano, a maior feira de moda sustentável do mundo, realizada em Berlim, Alemanha, o tema foi explorado em dois painéis de discussão reunindo alguns empreendedores e profissionais ligados a moda sustentável (você pode ouvir os painéis completos no Podcast da NEONYT). Embora atualizados na discussão, muitos deles admitiam que ainda não haviam encontrado boas soluções para embalagens, principalmente se tratando do B2B. Por exemplo, existem sacos de “pergaminho” (embalagens 100% papel, mais resistentes, que podem ser totalmente transparentes, como o plástico), mas que, a longo prazo, seria uma solução apenas paliativa, como o plástico, já que ainda é uma embalagem descartável.


Ao mesmo tempo, a indústria da moda possui fornecedores no mundo inteiro, e uma coisa é certa: todos possuem embalagens de plástico, que é acessível e barato. O problema da embalagem de plástico na indústria da moda precisa de soluções globais.

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