Por que diversidade “de fachada” é ainda tão comum em empresas e marcas?




Vivian Berto e

Patricia Sant'Anna

A aplicação do termo “diversidade” compreende posicionar empresas, instituições e pessoas para que incluam o número mais diversificado possível de pessoas em relação a questões como etnia, gênero, religião, orientação sexual, biótipo, posicionamento, estilo de vida, entre outros. Não dá mais para falar de marketing, marca, empresas, trabalho, produtos, posicionamentos, enfim, quase de tudo, sem diversidade. Ela leva em conta que uma empresa é igualitária em relação a oportunidades e reflete o mundo ao seu redor. Na verdade, as empresas deveriam simplesmente corresponder ao que as pessoas já são no “no mundo real”: diversas, diferentes entre si.

É claro que apontar a diversidade compreende deslocar o protagonismo de alguns grupos que ja têm todos os holofotes para os que foram por muito tempo ignorados, ou, pior, descriminados. É criar condições para atender pessoas com deficiência, num universo que até antes só pensava em pessoas sem deficiência. É pensar em como auxiliar mulheres em ambientes e situações que antes eram basicamente masculinos, como na direção de grandes empresas, por exemplo. É pensar pessoas negras em relação a empresas ou produtos que pareciam apenas considerar que existem pessoas brancas no mundo. É atender a públicos diversos, criando benefícios de ambos os lados - tanto dos consumidores quanto das empresas. E, ao mesmo tempo, é possível pensar em mercados mais amplos, em novos mercados. Por isso, grandes empresas investem cada vez mais, inclusive, na contratação de Diversity Chief Officers, além de equipes totalmente voltadas para isso, Como já falamos muitas vezes na Tendere, diversidade vende!

Por exemplo, segundo a Unesco, quase 24% da população brasileira tem algum tipo de deficiência (visual, motora, mental, auditiva ou intelectual). Esse também é o tamanho, por exemplo, do mercado para produtos de design (moda, decoração, mobilidade, serviços etc.) que são muito pouco atendidos no país (e no mundo). Para entender o papel da inclusão de pessoas com deficiência há diversos TEDs sobre o assunto (recomendamos ver essa playlist de TEDs dedicados ao tema), mas um é especialmente importante para nós, porque ele revela como não incluir é uma ação simbólica violenta de exclusão. E o design pode fazer algo que realmente pode transformar o mundo.


Nos mercados de moda e de beleza, esse tema ganha ainda uma importância específica, já que se tratam de produtos e serviços que constroem diretamente a aparência, a vida cotidiana das pessoas. Falar em diversidade de corpos e de padrões de beleza e fazer uma marca que fala direto com a cliente. Se a Victoria’s Secret enfrenta hoje dificuldades financeiras, não resistimos em apontar que a massiva maioria das mulheres não se identifica com os corpos padronizados que são ali mostrados, em desfile, campanhas, nas lojas etc. E que, atualmente, elas precisam, querem, exigem se identificar. Marcas nascentes, que se arriscam nesse caminho já começam a colher frutos e a despertar o interesse de empresas de grande porte que foram resistentes a ver e compreender que o mundo mudou.

Diversidade “de fachada” ou Bluewashing

A urgência das empresas por atender essa demanda, aliada à pesquisa pobre e implementação preguiçosa, muitas vezes gerou soluções torpes e pouco eficazes em relação à diversidade. Comparando com o chamado greenwashing, termo que se refere a empresas que são “sustentáveis de fachada” sem propor soluções de verdade, existem muitos casos de empresas que aplicam a “diversidade de fachada”, quando ela fica só no discurso e realmente não inclui pessoas diversas. A isso dá-se o nome de bluewashing quando o discurso de responsabilidade social (diversidade entra aqui) não condiz com a prática e cultura da empresa.

Isso acontece, por exemplo, quando empresas se posicionam enquanto diversas ao mesmo tempo em que tem pessoas muito parecidas entre si nas suas equipes de trabalho, por exemplo, fala-se de diversidade, mas quando você olha para as pessoas que trabalham na empresa só conseguimos ver uma majoritária presença de homens, brancos, heterossexuais e sem deficiência. Quer saber mais sobre isso, recomendamos conhecer a startup Incluser. Ela avalia e demonstra, por A+B, porque é uma boa as empresas serem mais diversas.

Primeiro passo para uma diversidade levada a sério, é colocá-la para dentro da empresa de verdade. Por exemplo, há pouco tempo, participamos de uma mesa de debates no Brasil Eco Fashion Week (BEFW) sobre Moda Agênero. E, notou-se (1) que as pessoas trabalham com moda (uma forma de expressar simbolicamente quem as pessoas são no mundo) e elas não são informadas sobre questões de gênero, teoria queer, debates sobre corpo e corporalidade. Não parece contraditório? Quem trabalha com moda, trabalha com corpo, mas não se atem, ou não é informado sobre debates sérios e importantes sobre o suporte principal do vestuário. (2) há uma preocupação no público de entender e saber como atender efetivamente um público que não quer ser identificado de maneira binária. E uma das questões pertinentes que surgiram foi: Como posso fazer isso em minha marca sem fazer só ‘de fachada’? A resposta já estava na ponta da língua de todos participantes da mesa: quantas pessoas dentro de sua empresa são ou vivenciam moda agênero?




Em resumo, não dá para uma empresa desejar ofertar produtos e serviços para afrodescentes, se essa empresa se quer tem um afrodescente em seus quadros de colaboradores. Não dá para uma agência publicitária falar sobre a maneira como as mulheres consomem cerveja, se todos que pensam e falam sobre isso são homens, não dá para criar soluções para pessoas deficientes se não há o convívio e a comunicação franca com pessoas com deficiência. Não é possível falar sobre empoderamento feminino e na prática, uma empresa com centenas de mulheres (isso é bem comum em indústria da moda e criativa no geral) não tem, por exemplo, uma creche para oferecer às suas colaboradoras. Portanto, não dão boas condições para que as mulheres conciliem tranquilamente família e trabalho. Podem até demitir mães que acabaram de ter filhos, após os seis meses obrigatórios que o Ministério do Trabalho exige garantir após uma mulher que teve filho voltar para o espaço de trabalho.

Há ainda, a fatídica pergunta, em especial feita a mulheres que passaram dos 25 anos: “Você tem filhos? Pretende ter? Com quem eles vão ficar enquanto você trabalha?”. Ao fazer essa pergunta a empresa está diretamente tentando, ou ainda, evitando contratar futuras mães. Será que um recrutador perguntaria isso a um homem? Será que um homem já ouviu esse tipo de pergunta quando passava por uma seleção? Provavelmente não, afinal, se pressupõe que são as mulheres que vão cuidar dos filhos, portanto, o homem está liberado para seus afazeres profissionais. A plataforma ‘Contrate uma Mãe’, uma iniciativa da agência TeamWorker, tem como objetivo ao menos tentar diminuir esse gap na vida profissional das mães.

Algumas modelos e influenciadoras plus size já apontaram (sem citar diretamente o nome de seus clientes) marcas que não têm tamanhos de roupas que as vestem, embora as contratem para manter uma fachada de “diversidade de corpos” em suas campanhas. E, geralmente, as mulheres gordas de muitas campanhas de moda e beleza são tipos muito específicos (cinturas e canelas finas, por exemplo), longe do que a o público poderia se identificar.

Muitas marcas de maquiagem brasileiras, apesar de nossa grande diversidade e mistura étnica, ainda não aprenderam a lição sobre a diversidade de tons de pele. “Muitas vezes a informação está gratuita na internet, nós dizemos o que queremos, mas muitas marcas ainda vendam os olhos para nossas pautas”, disse o maquiador e influenciador Tássio Santos sobre o tema. Ele é autor de uma série de vídeos que dizem sobre “O Tom mais Escuro”, que aponta qual é o tom de cada marca - muitas delas, com apenas 1 tonalidade para peles negras. Como apontado por ele, e, como dito, abertamente na internet por influenciadores e consumidores, a pele negra retinta é sistematicamente ignorada. Oportunidade que não é contemplada pelo mercado.




Quais são os impactos?

A “diversidade de fachada” pode ser letal para a imagem de uma marca e/ou empresa. Com os consumidores se tornando cada vez mais exigentes, cada vez mais informados, ainda mais se tratando de transparência, descobrir que a diversidade estava apenas no discurso (e que não bate com seus valores e práticas da empresa) é um caminho sem volta para parar de consumir uma determinada marca, produto ou serviço. Por isso, é triste que tantas empresas ainda apostem em falar de diversidade, mas não fazê-la em seu dia-a-dia.

A diversidade “fake” também pode vir associada a um outro contexto, que é a diversidade “importada”. Muitas vezes, empresas brasileiras copiam imagens de diversidade do espectro norte-americano e de alguns países da Europa. E elas podem não corresponder ao nosso contexto. Na questão étnica, ela se torna ainda mais evidente, justamente por causa de uma formação histórica bastante dissidente entre essas regiões. Por exemplo, uma pessoa considerada negra nos Estados Unidos pode ser considerada branca no Brasil, afinal cores são lidas dentro do espectro cultural local. Do mesmo modo, a ideia de “pessoas latinas” por lá pode não ter significado nenhum na América Latina, onde essas pessoas podem considerar-se somente brancas ou pardas. Também podemos pensar em como a miscigenação no Brasil e nos EUA se deu em contextos muito diferentes. Na América Latina, a presença indígena é fortemente miscigenada, o que faz com que tenhamos muitos descendentes de indígenas atualmente circulando por todo os lugares. Os corpos dos latino-americanos que têm ascendência indígena têm formas específicas que se diferenciam dos corpos dos descendentes de negros e de brancos, europeus (por exemplo, formatos de pés, que tendem a ser mais largos). Há uma cegueira em frente a este público. Em toda a América Latina, ignora-se este mercado como se ele fosse exceção, enquanto, na realidade é ele que configura a maioria dos corpos latino americanos.

Chegamos à conclusão de que a há uma aplicação muito tímida sobre resolver problemáticas de públicos diversos. A diversidade, dentro da indústria criativa, é pouquíssimo contemplada. O que gera uma população imensa que não é notada enquanto consumidora. Será que isso se dá porque não existe um mercado ou é “preguiça” de procurá-lo e dar soluções exequíveis para esses grupos de consumidores? Existem muitas oportunidades que podem ser perdidas por conta dessa cegueira, e investir em diversidade, tal qual em sustentabilidade, não pode ser apenas de fachada ou aplicado de qualquer jeito somente porque os concorrentes o estão fazendo. Agora é realmente o momento de responder: Quais oportunidades sua empresa está perdendo agora por não levar a diversidade a sério?

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Somos absolutamente a favor do empreendedorismo feminino (e feminista), mas cada vez mais surgem “aceleradoras” que não aceleram negócios, consultoras que nunca abriram um CNPJ e até esquemas de pirâmide têm sido cada vez mais comuns. Veja o que identificar como boas práticas.



Foto por C Morillo no Unsplash

Victor Barboza, Vivian Berto

e Patricia Sant’Anna

O florescer relativamente recente do empreendedorismo feminino, embora extremamente positivo, tem mostrado algumas manifestações bastante perversas. Se trata dos falsos grupos de apoio, cursos, consultorias e aceleradoras de novas empresas que, além de não auxiliar de verdade as empreendedoras, ainda tiram vantagem. O curioso é que tais práticas são feitas tanto por homens quanto por mulheres – para cima das mulheres.

Temos identificado tal comportamento com tanta frequência que tem nos deixado cada vez mais preocupados. Porque, afinal, tem muita gente comprando ‘gato por lebre’.

Talvez você já tenha visto algo semelhante ao que estamos falando: cursos que mais parecem sessões de auto-ajuda (não que haja algo intrinsecamente errado com auto-ajuda, mas uma coisa é uma coisa...), aceleradoras e coaches aplicados por pessoas que mal ou nunca coordenaram seus próprios negócios (o famoso empreendedorismo de palco – o/a palestrante que fala muito sobre empreender, mas essa pessoa mesmo, nunca empreendeu) e até mesmo, pasme, esquemas de pirâmides financeiras para cima de mulheres que desejam empreender!

Mulheres querendo empreender passam por momentos de decisão que as fragilizam, muitas vezes elas estão querendo se encontrar, achar apoio para tirar sonhos do papel... e bem neste momento, vemos modelos de pirâmides super-estruturados acontecendo somente entre mulheres, totalmente encoberto/disfarçado pelo discurso do empreendedorismo.

Não é de se estranhar que isso tenha surgido acompanhando o (positivíssimo) boom do empreendedorismo das mulheres. Em 2018, elas representavam 46% dos empreendedores iniciais, embora ainda fossem somente 34% dos donos de negócios (aqueles empreendedores que se consolidaram), segundo dados do Global Entrepreneurship Monitor (GEM), em relatório do Sebrae.

As mulheres também são muito diversas em relação a quais são seus objetivos e ambições com o negócio, se as compararmos aos homens. Existe muito, ainda, empreendedorismo por necessidade (aquele em que a mulher abre um negócio para se sustentar – e não raro sustentar sua família toda), este que corresponde a 44% das empreendedoras no Brasil, segundo a mesma pesquisa citada. Mas é lógico que existem mulheres com muitas motivações outras, como por exemplo empreender porque querem montar o próximo unicórnio (unicórnio é uma startup que alcança uma avaliação de preço de mercado maior que 1 bilhão de dólares. Este termo foi cunhado em por Aileen Lee). Outras investem seu tempo em um empreendedorismo social ou com propósitos sustentáveis. Há ainda as que desejam gerir uma empresa que as possibilite passar mais tempo fazendo o que mais gostam (unir prazer com trabalho) e outras sonham em ter um exercício profissional em que tenham flexibilidade de horário (para cuidar de pessoas da família como filhos, netos, pais, avós etc.).

Porém, o boom do empreendedorismo feminino criou também alguns ruídos que precisam ser desmistificados. Hoje, vemos uma certa imposição de que mulheres feministas, autônomas e independentes são necessariamente empreendedoras. É verdade que qualquer uma pode ser uma empreendedora, mas nem todas querem ou devem ser. Esse discurso de que todas precisam empreender cria ainda mais espaço para práticas escusas, procurando lucrar em cima de quem está tentando fazer as coisas corretamente. Por isso, se você é uma mulher empreendedora (ou que deseja começar a empreender), fique muito atenta.

Por que é uma questão específica das mulheres

Quando falamos em esquemas escusos dentro do universo do empreendedorismo, não estamos falando de nenhuma novidade, muito menos de um problema específico das mulheres. O aumento do interesse por empreender, a precarização do mercado de trabalho e a diminuição das barreiras de entrada graças ao digital – deixa muito mais simples e barato montar um negócio – contribuem tanto para o saldo positivo quanto negativo do universo do empreendedorismo.

Por que estamos falando, então, especificamente de mulheres?

Quando mulheres empreendem, de maneira geral, elas têm comportamentos diferentes dos homens na mesma atividade. A própria construção histórica do que é ser mulher, que influi diretamente em sua educação, faz com que elas tenham outras necessidades e inseguranças. Por exemplo, a chamada “síndrome do impostor” (veja no vídeo abaixo) é muito comum entre mulheres. A falta de auto-confiança é um dos problemas mais enfrentados por elas para enfrentar o empreender.




Por isso, é relativamente comum os grupos de mulheres empreendedoras parecerem grupos de auto-ajuda. Isso porque elas tendem a buscar esse tipo de recepção, tendem a buscar acolhimento, principalmente quando o empreender é bastante atrelado à vida pessoal – realizar um sonho, cumprir um grande propósito de vida, ganhar independência financeira e emocional, além de vários outros fatores. Este acolhimento, quando bem-feito, auxilia na auto-estima e confiança, essenciais para qualquer empreendedora. Mulheres precisam desses processos de ajuda na construção da autoconfiança, já que isso que é minado ao longo de sua formação e educação. Faz parte de uma construção de empoderamento feminino, que é absolutamente necessário, para se “aguentar o tranco” de ter um negócio. Por isso, os grupos se tornam bastante relevantes.

Os homens são normalmente formados para ter uma auto-imagem muito forte e positiva de si próprios: quando conquistam algo, tendem a entender que agiam sozinhos, que a construção do sucesso foi feita por eles (apenas). Já as mulheres tendem a encontrar sempre o mérito em quem está em volta. Quase sempre se sentem obrigadas a agradecer quem as ajudou, por menor que seja esta ajuda. De certa forma, ela divide o mérito, ou mesmo, passa esse para quem está em volta – e isso pode fragiliza-las.

Trata-se de uma questão delicada e complexa. Muitas mulheres querem e precisam dessas ferramentas que as ajudam na construção da autoconfiança, do seu próprio empoderamento, e, precisam de grupos, coaches, consultora(e)s etc. para ir sedimentando que seu sonho de empreender realmente se realize. Porém, uma série de pessoas, algumas até bem intencionadas, identificaram nas empreendedoras presas fáceis para “vender ajudas” que não ajudam, apoios que só atrapalham, que fomentam falsas práticas de sororidade. O mais interessante é que é difícil identificar o que vale o que não vale a pena, porque se o apoio é algo necessário para o empreendedorismo feminino, até onde essas práticas são necessárias e até que ponto pode se tornar um problema, a ponto de inviabilizar os negócios, objetivos e projetos de vida dessas mulheres?

As mulheres precisam de autoconfiança. Mas também precisam de instrumentos de gestão financeira, conhecimento do negócio em profundidade, gestão de tempo com planejamento e visão estratégica de seu negócio, estabelecer networking, saber abordar para proporcionar abordagens comerciais efetivas, dentre outros.

Bons cases

Podemos ver que há bons cases de ajuda mútua entre mulheres em prol de seus negócios e das suas finanças.

Investimentos para mulheres

A educação financeira do brasileiro ainda engatinha. Quando olhamos no número de investidores, ainda vemos que está em patamares muito baixos. E, quando olhamos para o público feminino, vemos que estes números são ainda piores. De acordo com os números do Tesouro Nacional, apenas 25,2% das pessoas que investem no Tesouro Direto são mulheres. E, de acordo com os números da B3, na bolsa de valores o percentual é ainda mais reduzido: apenas 22,8%.

A desproporção fica ainda mais grave quando olhamos os números de profissionais no mercado financeiro. De acordo com a Morningstar, apenas 7% dos gestores de investimentos são mulheres. No cenário de uma das principais corretoras de investimentos aqui do Brasil, a XP Investimento, dentro os cerca de 5 mil agentes autônomos ligados à empresa, apenas 17% são mulheres (sendo que este número duplicou nos últimos três anos).

Foi dessa realidade que cinco sócias, experientes no mercado financeiro, criaram a Ella’s Investimentos. Trata-se de um escritório de investimentos da XP, com os mesmos produtos oferecidos pelos demais, porém, com o foco em atendimento específico para mulheres e LGBTs.

Outra corretora de investimentos, a Easynvest, também fez uma iniciativa para aproximar as mulheres do mundo dos investimentos. Trata-se do “Nós, mulheres investidoras”, com iniciativas gratuitas de educação financeira para o público feminino.

MIA (Mulheres Investidoras Anjo)

Uma das alternativas para a captação de recursos para um negócio é através dos investidores anjos. Porém, muitas vezes, empreendedoras com ótimos modelos de negócios acabam tendo dificuldades na captação simplesmente pelo fato de serem mulheres (mesmo que os números sejam melhores nas startups de mulheres, que, de acordo com uma pesquisa feita em 2018 pelo The Boston Consulting Group, em cinco anos, startups de homens faturaram cerca de 10% a menos do que as startups de mulheres). Para se ter uma noção, de acordo com o grupo norte-americano Female Founders Fund, em 2018, startups dos EUA fundadas por mulheres levantaram apenas 2,2% dos investimentos de risco. E, assim como a relação de investidores em geral é bem desproporcional entre homens e mulheres, do ponto de vista de investidores anjo o mesmo acontece. De acordo com a Anjos do Brasil, apenas 12% dos investidores anjo do Brasil são mulheres.

Duas características muito comuns entre as mulheres geram esse cenário:

(1) mulheres podem engravidar e ter filhos, e muitas vezes os investidores (não raro, homens) olham para uma oportunidade de negócio que está nas mãos de mulheres como algo que pode ser problemático por conta disso (igual quando uma mulher acima de 27 anos vai procurar emprego), afinal, ‘e se ela tiver um filho?’. Isso demonstra de cara duas coisas: homens compreendem que filhos são responsabilidade das mulheres, então, um homem de 27 anos prestes a ser pai teoricamente não tem problema, mas uma mulher na mesma situação, sim. Ponto para o machismo!

(2) os negócios de mulheres, não raro, resolvem problemáticas femininas que os homens não conseguem perceber como relevantes, ou como um negócio com mercado potencial não atendido. Esse ponto demonstra duas coisas também: investidores que não conseguem ser empáticos as problemáticas femininas, gerando uma falta de visão sobre as propostas que elas trazem, e, pior, não entendem o mercado feminino como um mercado pertinente e relevante (neste caso é cegueira mesmo... não querem ver 52% da população).

Neste cenário, o MIA surgiu em 2013, para reverter este cenário e possibilitar aumento do número de investidoras anjo. Em entrevista para o portal Uol, a criadora do MIA, Maria Rita Spina Bueno, afirma que a iniciativa já impactou quase mil mulheres.

Anti-cases

Por outro lado, existem exemplos negativos de iniciativas que foram criadas apenas para tirar dinheiro das mulheres:

  • Mandala da Prosperidade, Tear dos Sonhos, Mandala Feminina e Flor da Abundância

Todos estes nomes são referentes a correntes de cooperação que vendem a ideia de promover empoderamento feminino e realização de sonhos.

Na apresentação, o discurso é da luta contra o patriarcado, da desvalorização da mulher e da valorização da ganância. Uma luta muito bem recebida por parte das mulheres, ainda mais quando a apresentação vem de alguma pessoa próxima. Para fazer parte das correntes, além do convite de alguém de dentro, é necessário fazer um investimento inicial. Qual o retorno? A multiplicação do dinheiro acima de qualquer aplicação.

Apesar do fator financeiro chamar muito a atenção, a multiplicação do capital é vista como segundo plano. O principal fator da isca é o de crescimento espiritual e suporte emocional. Isto justifica o fato da maioria das ingressantes serem justamente mulheres em situação de vulnerabilidade. Ou seja, mulheres que precisam de suporte, e que por isso, caem mais facilmente nestes esquemas fraudulentos e ilegais. Sim, esquema de pirâmide no Brasil é ilegal. Os modelos de pirâmides financeiras (modelos comerciais previsivelmente não sustentáveis, que dependem basicamente do recrutamento progressivo de novos integrantes, em níveis insustentáveis) ou de estelionatos (crime contra o patrimônio) são ilegais no Brasil.

Numa reportagem que saiu no Uol, em um destes grupos, para ingressar, a mulher precisa investir cerca de R$ 5 mil, com promessa de retorno de R$ 40 mil (lucro muito acima da realidade, em relação ao risco e ao prazo). O retorno acontece quando a integrante consegue trazer novas pessoas para dentro do grupo. Além das contas não fecharem, já existem vários relatos contra as iniciativas.


Como identificar uma “picaretagem”? Como escolher curso, aceleradora ou associação de mulheres? Se você é uma empreendedora e está buscando referências que possam ajudar no seu crescimento e desenvolvimento, é importante considerar alguns fatores para não entrar em uma fria. Veja como escolher um curso voltado para empreendedorismo, aceleradora ou associação de mulheres, dentre outros:

  • Desconfie de propostas muito milagrosas. Nenhuma ajuda externa vai fazer milagres sem que você concentre muito tempo, atenção e trabalho duro ao seu negócio. Auxilio externo, como de aceleradoras, só será valioso para você focar estes recursos (tempo, atenção e trabalho duro) nos lugares certos.

  • Pesquisa quem são as pessoas por trás do curso, aceleradora ou associação. Ele ou ela tem ou ja tiveram seus próprios negócios? Teve sucesso nestes negócios? Se ‘quebrou’, porque quebrou? Tem networking em business suficiente para te apresentar pessoas e te colocar em contato com empresas parceiras que vão ajudar no seu negócio? Ou seu negócio é justamente somente falar sobre negócios?

  • Desconfie de quem passa muito ‘a mão na cabeça’. Elogios só são válidos se são sinceros, falar o que você deseja ouvir não via ajudar o seu negócio a crescer. Sim, as vezes, os bons consultores, coaches, grupos de empreendedorismo, aceleradoras vão falar verdades difíceis, mas necessárias para você efetivamente melhorar o seu negócio. Muitas vezes crescimento pessoal e da sua empresa precisa passar por algumas verdades duras. Isso não significa que você não possa ser acolhida, mas apenas que criar e gerir um negócio tem sempre seu lado espinhoso. Empreender pode ser sim um mar de rosas, mas terá espinhos. Nunca se esqueça disso.

  • Desconfie de quem é generalista. Afinal, montar uma cervejaria, uma marca de moda infantil, uma fábrica de ração, um negócio vegano, uma escola, uma bicicletaria, um mercadinho, um salão de beleza etc. exige conhecimentos específicos técnicos, mas também de mercado. Quem vai te apoiar no negócio, te dar direcionamento, necessita ter networking, conhecer os players, entender a dinâmica deste mercado etc.

  • O grupo se reune e o assunto central rapidamente vai para outras frentes que não a de negócios. Desconfie se a atenção dada a ‘auto-ajuda’ ou de uma amadora ‘terapia de grupo’ não está minando tempo, ideias e o foco que você deveria estar depositando em seu negócio. Ajudar-se é uma coisa, esquecer do propósito do grupo é outra, totalmente diferente.

  • Antes de efetivamente fazer parte do grupo, aceleradora, curso tente ir um dia (sem custo) ver como é a dinâmica. Há pessoas sérias que fazem trabalhos bacanas com abordagens bem específicas, você também não precisa escolher ficar e investir seu tempo (e dinheiro) em abordagens que não são alinhadas com seus valores ou com seu estilo de vida. Há diversidade entre as mulheres (de valores, crenças, posturas socioculturais), portanto, busque o que faz sentido a você (que pode ser bem diferente do que é para sua amiga, irmã etc.).

  • No universo financeiro, nada pode ser feito milagrosamente. Prometeram baixo investimento e alto retorno em curto prazo? Corre, é cilada!

Você conhece alguém, ou mesmo, você mesma já caiu numa arapuca dessas? Compartilhe sua história, isso pode ajudar uma outra mulher a não entrar numa roubada. Um valor que é transversal e que pode ajudar a todas, sem exceção, é a sororidade.

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Na Tendere, realizamos pesquisa de acordo com as necessidades específicas de cada cliente, a partir de reunião de briefing - e, ao final, com entrega via palestras e workshops. Veja como funciona.




Vivian Berto Você sabe como funciona uma pesquisa sob demanda? Na Tendere, realizamos pesquisa completamente feita sob medida para nossos clientes, com foco em seu mercado, segmento, público-alvo e situação e objetivos da empresa. A pesquisa qualitativa (a famosa quali) é a mais utilizada pela equipe multidisciplinar de pesquisadores da Tendere. Ela tem como objetivo entender e interpretar comportamentos, atitudes e motivações que influenciam as ações de determinados grupos de pessoas. É também importante destacar que ela é utilizada para aprofundar conhecimentos que já foram quantificados – pela pesquisa quantitativa –, e com ela monta-se uma base estratégica para decisões da empresa. A Tendere também realiza pesquisas quantitativas (surveys), mas isso é assunto para outro post! Na pesquisa qualitativa o tamanho da amostra não é o mais importante, mas o tipo de informação (aprofundada) que será retirada dela. O ponto de vista não é estatístico, mas sim de enquadramento e conhecimento de um cenário. A Pesquisa é a área de maior expertise da Tendere. Temos pesquisadores com formação em diversas áreas, como Antropologia, Sociologia, Geografia, Estética, História da Arte, Economia e Finanças, Relações Internacionais, Design, Arquitetura etc. Todos contribuem para os estudos se tornarem mais aprofundados, complexos e, por isso, efetivos. Além disso, estes pesquisadores têm sólida experiência no mercado, além do viés acadêmico. Tipos de pesquisa que realizamos:

  • Future Studies

  • Segmentação de mercado

  • Pesquisas qualitativas de campo

  • Pesquisas qualitativas baseadas em entrevistas

  • Desk research - pesquisa teórica

  • Cobertura de feiras e eventos especializados

  • Pesquisas tradicionais do universo do Marketing

A escolha da pesquisa depende dos objetivos do cliente. Por exemplo, enquanto o Future Studies e desdobramento para futuro são utilizados no caso de clientes que querem ter perspectivas futuras sobre determinado assunto (para tomar ações estratégicas no presente), a pesquisa de Segmentação de Mercado é utilizada nas empresas que precisam segmentar novas linhas ou produtos ou, então, ajustar sua segmentação atual. O tipo de pesquisa pode ser demandado pelo cliente ou decidido entre o cliente e a Tendere, na reunião de briefing! Procedimento para o desenvolvimento de uma pesquisa: Para a Tendere realizar uma pesquisa, a equipe multidisciplinar de pesquisadores segue determinadas diretrizes. Elas são as seguintes: Passo 1: Elaborar o problema/questão a ser respondida com o cliente (briefing) Como já dissemos, todas as pesquisas da Tendere são feitas sob medida para cada cliente. Por isso, questionário e retirar o briefing se torna essencial. Além disso, a reunião de briefing ajuda a estimar se a pesquisa é simples ou complexa. Passo 2: Brainstorm com o cliente para elaboração da solução de pesquisa Nenhuma abordagem da Tendere é unilateral. Não impomos informações e, muito menos, fórmulas para nossos clientes. O brainstorm 
serve tanto para entendermos melhor a necessidade da empresa quanto para estimular a própria a pensar soluções. Passo 3: Aplicação da pesquisa Quando a pesquisa qualitativa é efetivamente realizada, tendo sempre em vista os objetivos. Passo 4: Análise dos resultados Após os resultados serem recolhidos na pesquisa, eles são analisados, preparados e organizados em formato de relatório. O processo de organização e curadoria dos dados é tão importante quanto a pesquisa em si. Passo 5: Entrega em forma de relatório e palestra/workshop A última coisa que queremos é que nossos clientes recebam a pesquisa e arquivem sem aplicação efetiva! Por isso, as entregas de relatórios escritos e ilustrados (em PDF) sempre compreendem palestras e/ou workshops para as equipes, afim de esclarecer dúvidas e fixar melhor todos os pontos apontados na pesquisa. É importante destacar que a Tendere realiza pesquisa tanto para grandes empresas quanto para as menores. Continue acompanhando o blog da Tendere para saber mais! A Tendere é uma empresa criada em 2011 por pesquisadores do Grupo de Arte, Design e Moda da Unicamp. A Tendere permaneceu três anos incubada na Incamp (Incubadora de Tecnologia Industrial da Unicamp) e hoje é uma empresa graduada (empresa-filha da Unicamp). Atuamos há 8 anos e meio no mercado desenvolvendo informação estratégica e soluções para economia e indústria criativa. Entre em contato em patricia@tendere.com.br.

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Tendere Pesquisa de Tendências e Consultoria em Tecnologia Industrial Ltda

CNPJ: 13.977.395/0001-29

Endereço: Rua Bartira, 1060/31 - Perdizes, São Paulo - SP, 05009-000

E-mail: tendere@tendere.com.br

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