Pesquisa qualitativa não é inspiração: é infraestrutura de decisão
- Tendere Tendere

- 20 de jan.
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Em contextos empresariais marcados por incerteza, aceleração tecnológica e transformações socioculturais profundas, a tomada de decisão exige mais do que intuição ou leitura superficial de indicadores. A pesquisa qualitativa atua como infraestrutura cognitiva da decisão estratégica ao fornecer insights profundos sobre motivações, percepções, valores e contextos de ação dos stakeholders. Ao acessar o porquê por trás dos cenários, ela amplia a capacidade interpretativa das organizações e sustenta decisões mais conscientes, consistentes e alinhadas à realidade social (Creswell, 2014; Flick, 2009).

Do ponto de vista conceitual e metodológico, a pesquisa qualitativa é uma abordagem exploratória e interpretativa voltada à compreensão aprofundada dos fenômenos, e não à mensuração estatística de variáveis. Seus métodos, como entrevistas em profundidade, grupos focais, observação e etnografia, produzem dados densos, situados e contextuais, permitindo analisar significados, crenças, atitudes e valores que estruturam comportamentos e escolhas. Trata-se de uma investigação orientada à construção de sentido, fundamental para compreender como indivíduos e grupos interpretam produtos, serviços, marcas e experiências (Creswell, 2014).

Essa lógica implica trabalhar com amostras intencionalmente reduzidas, priorizando profundidade analítica em detrimento de volume. O rigor da pesquisa qualitativa não reside na quantidade de respondentes, mas na qualidade da escuta, na consistência interpretativa e na capacidade de articular empiria e teoria. Ao explorar narrativas, práticas e contradições, a pesquisa qualitativa revela padrões culturais e racionalidades implícitas que dificilmente emergem em levantamentos quantitativos padronizados (Flick, 2009; Becker, 2007).
No âmbito da estrutura de decisão empresarial, a pesquisa qualitativa complementa indicadores quantitativos ao iluminar problemas complexos, identificar oportunidades emergentes e apoiar o desenvolvimento de novos conceitos, produtos e serviços. Ela é especialmente eficaz para compreender percepções do consumidor, processos decisórios de compra e relações simbólicas com marcas, contribuindo para a redução de riscos estratégicos e para a formulação de soluções mais aderentes às expectativas do mercado (Schiffman; Kanuk, 2000; Solomon, 2016).

A pesquisa qualitativa fornece a camada de profundidade e contexto que sustenta decisões empresariais transformadoras. Longe de ser um exercício de inspiração subjetiva, ela constitui uma prática metodológica rigorosa, ética e reflexiva, capaz de orientar organizações em mercados dinâmicos e incertos com maior clareza, sensibilidade cultural e inteligência estratégica (Flick, 2009; Creswell, 2014).
Se a sua organização precisa tomar decisões mais embasadas, compreender o contexto sociocultural dos seus públicos é um passo decisivo. A Tendere atua com pesquisa qualitativa aplicada à estratégia para transformar compreensão profunda em decisões sólidas e acionáveis.
Referências (ABNT)
BECKER, Howard S. Truques da escrita: para pesquisadores que querem escrever melhor. Rio de Janeiro: Zahar, 2007.
CRESWELL, John W. Investigação qualitativa e projeto de pesquisa: escolhendo entre cinco abordagens. 3. ed. Porto Alegre: Penso, 2014.
FLICK, Uwe. Qualidade na pesquisa qualitativa. Porto Alegre: Artmed, 2009.
SCHIFFMAN, Leon G.; KANUK, Leslie Lazar. Comportamento do consumidor. 7. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2000.
SOLOMON, Michael R. O comportamento do consumidor: comprando, possuindo e sendo. 11. ed. Porto Alegre: Bookman, 2016.








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