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Tendências: um breve resumo do 19o.Seminário Tendere

Patricia Sant'Anna

Foram duas tardes muito bacanas, com gente de diversos lugares participando, do hemisfério sul e norte. Dividimos os dois dias dedicando o primeiro para falar de debates sobre as transformações do mundo pós-pandemia, os cenários futuros, o comportamento do consumidor e as macrotendências que estarão presentes de maneira consolidada em 2024.


Cenários Futuros

O Brasil tem previsões de PIB entre 4,5% e 4,8% para 2024 (as previsões são muito diversas para crescimento mundial, o que demonstra uma real insegurança frente ao que vai acontecer na economia mundial). O país continua entre os emergentes responsáveis por boa parte do crescimento da riqueza no mundo, mas assistirá de camarote, o crescimento descomunal do sudeste asiático, liderado pelo soft power poderoso da Coréia, e o poder econômico crescente da China. A ponto de em poucos anos ultrapassar os EUA.


Com isso temos alguns impactos como ficar atentos à arte, design, moda e arquitetura que são criados por asiáticos, bem como insufla uma crescente emigração de brasileiros para o Japão, China, Singapura e Coréia. Sendo já locais de consolidados destinos para os brasileiros em turimo pela Ásia.


Futuro

Pensar e prospectar o futuro requer estar atento ao presente e dominar os processos socioculturais históricos do qual o que queremos compreender em estudos sobre futuro (future studies) fazem parte. Falar sobre as transformações tecnológicas aceleradas pelas quais passamos uma delas é a realidade imersiva e a não diferenciação entre on e offline. Para tratar destas novas realidades contamos, no primeiro dia, com uma convidada bem bacana, Jemima Kos da BR_IFW, designer de moda e artista visual, ela veio nos contar um pouco sobre essa nova realidade nossa de viver em um mundo figital e imersivo.


Em nossos estudos identificamos 3 grandes caminhos de macrotendências de futuro:


Super Tecnológico, Super Consciente e Tradição a Qualquer Custo. Cada uma delas será tratada em artigos futuros aqui no blog. Podemos adiantar que essas macros de futuro fomentam comportamentos diversos e que também apresentamos no primeiro dia do seminário que são:

  • Visionários Pé-no-chão

  • Idealistas

  • Multidimensionais

  • Revolucionários Contemporâneos


Cada um, a sua maneira, está tentando lidar da melhor maneira possível com esse novo cenário em que vivemos, exigindo de si próprio e do mundo ao redor aquilo que considera como a base para criar e viver um cotidiano mais saudável, viável, sustentável e equitativo.


Terminamos o dia falando da importância do sucesso do filme Marighella e Duna nos cinemas brasileiros. Por um lado temos um filme que trata da história (recente) de luta pela democracia que o personagem histórico Marighella travou ao longo de sua vida. O que revela a curiosidade histórica dos brasileiros sobre os períodos de ditatura do século XX e sobre como a luta de resistência se constitui em nosso cenário. Sobre as pessoas que construiram e constituíram essa histórica, e sobre um homem brasileiro preto que abertamente lutou pela democracia.


De outro lado temos um filme blockbuster que adapta o clásisco de ficção científica Duna, escrita por Frank Hebert, publicada em 1965, nos EUA (que já teve algumas tentativas de ser levado para a telinha e para a telona). Duna não fala sobre um mundo fantástico, mas sobre humanos em um futuro distante, no qual a Terra é uma lembrança longe, já travaram uma guerra com as máquinas e a inteligência artificial, e ganharam. Humanos que vivem em diversos planetas, e que se organizam com um misto de feudos medievais e corporações que dominam os meios de comunicação (transportes) interplanetários. Duna é o livro de ficção científica mais vendido do mundo. E traz nele debates tão vastos, que sempre terá algo que se alinha à contemporaneidade. No filme tem algo de Super Tecnologico, Super Consciente e Tradição à qualquer custo emaranhados na busca por um futuro diferente do que a vida que vivemos hoje.


Num momento de tantas possibilidades distintas conhecer e reconhecer nosso passado (Marighella) e pensar em futuros alternativos possíveis (Duna) constróem o imaginário contemporâneo que fará um 2024 mais tecnológico, consciente e também com as conexões alinhadas com um passado que foi, durante muito tempo, solapado e escamoteado.


No segundo dia partimos para pensar como essas macros aconteceriam no Brasil, nada melhor então do que começarmos com a palestra de Mi Medrado, doutoranda na UCLA, e que nos veio falar sobre Moda e Decolonialidade. O debate decolonial é um debate epistemológio, é verdade, mas que em 2024, provavelmente já terá aberto bem a nossa mente para pensar, criar e produzir uma moda no Brasil com menos cópia e mais criatividade.



A partir daí caímos em um debate entusiasmado sobre as possibilidades de uso destes debates para pensar a moda de um ponto de vista menos subserviente das propostas estéticas do Hemisfério Norte, especialmente Europa e Estados Unidos. Olhando mais para nosso histórico, nossos ancestrais e nossas raízes para pensar em uma moda que funcione para nós, que expresse sobre nós.


A pesquisa da Tendere é sul orientada (América Latina, África Subsaariana e Oceania) há mais de 10 anos, no entanto, não nega os diálogos com as capitais da moda, e ou locais que são pertinentes para o Brasil em termos de processos de sensibilização pela arte, design, arquitetura e moda.


Deste ponto, partimos para a explicar como a Tendere organiza suas pesquisas estéticas tendo como base a formação de gosto. A Tendere elaborou ao longo dos anos de pesquisa 4 macrogostos que abrangem todo o país. Para cada um nós identificamos o que pode ser compreendido como as tendências que aquele grupo vai usar em 2024. Basicamente, depois de ver todas as informações do primeiro dia, tudo o que vimos sobre cenários futuros, macros caminhos de tendências, comportamentos do consumos etc. pensamos como esses elementos atravessam as escolhas e as melhores soluções estéticas que fazem sentido no e para o Brasil. Os quatro grupos são: Pop Tropical; Latino Urbano, Karioka e Sofisticado. E cada uma tem a sua própria tendência. Como veremos a seguir:










Essas tendências são baseadas em pesquisas e estudos aprofundados sobre o Brasil, o cenário regional e como o mundo está caminhando para o futuro. São informações estratégicas tanto para você usar para desenvolver coleções, ou produtos, quanto decidir sobre o futuro de sua empresa criativa. Em cada tendência elencamos a justificativa, as cores e exemplos de moda feminina, masculina, acessórios, lingerie, arquitetura, decor etc.


Você não conseguiu participar e tem interesse em ter acesso ao nosso material de pesquisa? Entre em contato conosco pelo tendere@tendere.com.br e adquira o nosso relatório de tendências 2024 (outono-inverno). Podemos ainda, conversar com você, entender o seu negócio, e, sobretudo, as segmentações que você atende, e criar um relatório específico para o seu negócio e sua realidade. Sim, fazemos pesquisa de tendências sob medida. Entre em contato e vamos conversar sobre como podemos te ajudar.


E antes de terminar...


Agradecemos a todos os clientes que compareceram, a todos os pesquisadores que dos quatro cantos do mundo colocaram nas suas respectivas agendas um, ou melhor, dois momentos dos dias para estar conosco, as palestrantes (Je Kos e Mi Medrado) generosas que vieram dividir os seus saberes conosco, e a Proimagem Eventos, que a há anos organiza de maneira primorosa (e muito criativa) os Seminários Tendere. Estamos já pensando sobre as novidades que traremos para 2021, será que será presencial? Será que faremos digital? Ou será híbrido? Quais serão as nossas decisões para o evento de 2022 que falará sobre 2025? Fica o suspense, nos acompanhe e logo saberá.



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