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Fintechs em 2019: tendências para o mercado crescente que une serviços financeiros e tecnologia

por Victor Barboza

Photo by rawpixel on Unsplash

Um dos assuntos que mais movimentou os noticiários de Finanças no ano de 2018 foi sobre as fintechs. Para quem ainda não está tão familiarizado com o termo, fintech é a junção das palavras Financial (Finanças) e Technology (Tecnologia), representando as empresas startups que estão revolucionando o mercado financeiro, com inovação e otimização dos serviços.


O mercado financeiro sempre foi muito tradicional e, quando falamos de tecnologia, esta só começou a ser aplicada nesse mercado há pouco tempo. Por exemplo, foi só em 1983 que o primeiro caixa eletrônico foi implementado aqui no Brasil e, apenas em 1995 os brasileiros puderam começar a usar Internet Baking, em sintonia com a entrada da World Wide Web no país. E em 2009 surgiram os primeiros Mobile bankings. Mais do que isso, de acordo com a Pesquisa Fintech Deep Drive 2018, realizada pela Associação Brasileira de fintechs (ABFintechs) e ela pwc, 46% das startups de finanças nasceram após 2016!


46% das startups de finanças que existem hoje no Brasil só nasceram após 2016!

Quando olhamos o setor bancário no Brasil, nos deparamos num número chocante. De acordo com um estudo do Banco Central, divulgado em junho de 2018, os cinco maiores bancos do país respondem por 82% de todo o mercado financeiro, fazendo que o Brasil fique atrás apenas da Holanda no ranking global. Pior do que isso, de acordo com a Fiesp, o Brasil apresenta o maior spread bancário do mundo. Isso acaba sendo refletindo e muito no bolso das pessoas, por conta das elevadas taxas de juros nos empréstimos.


Até pouco tempo atrás, ver esses números poderia significar um desânimo para o consumidor, Já que ele não tinha para onde correr. Não havia alternativas diferentes dos grandes bancos. Porém, principalmente de 2008 para cá, começaram a surgir empresas que passaram a focar na qualidade do serviço, experiência do usuário, praticidade, desburocratização e redução de taxas. Sim, estamos falando das fintechs, que cada vez mais, tornaram-se ótimas opções para diversos produtos e serviços bancários.


2018: ótimo ano para as fintechs

O ano de 2018 foi muito marcante para as financial technologies. O primeiro grande marco aconteceu em abril, quando o Banco Central (BACEN) publicou uma resolução (resolução 4.656) que regula as fintechs de crédito no Brasil. Em dezembro, o BACEN autorizou a primeira fintech a conceder empréstimo sem a mediação de banco.


Outro acontecimento marcante foi protagonizado pelo Banco Inter, por ter sido a primeira fintech a estrear na B3, a bolsa de valores brasileira. Já no mercado de ações ao redor do mundo, a PagSeguro optou por abrir seu capital na Bolsa de Ações de Nova Iorque e a Stone abriu seu capital na Nasdaq.


Outra fintech que se destacou foi o Nubank, que entrou para a seleta lista de empresas unicórnios, avaliadas em mais de US$ 1 bilhão.


Porém, assim como em qualquer segmento, o ano de 2018 não foi só de maravilhas no meio das fintechs. Tivemos alguns casos de vazamento de dados dos clientes e o caso do Neon, uma fintech que estava relacionada a um banco que foi fechado (porém, a fintech prosseguiu e segue em crescimento!)


Cenário Atual

De tempos em tempos, a Fintechlab, um hub para conexão e fomento do ecossistema de fintechs nacional divulga o RadarFintechlab, um mapeamento que mostra o número de iniciativas e seus respectivos segmentos. No último levantamento, feito em agosto de 2018, foram mapeadas 453 fintechs, número 36,45% maior que o levantamento feito m novembro de 2017. Considerando uma variação média nos levantamentos, o número de fintechs em 2019 pode chegar na marca de 535.

Os segmentos que apresentam maior número de iniciativas são o de meio de pagamentos (25%) e o de créditos, financiamentos e negociação de dívidas (21%), de acordo com a pesquisa da ABFintechs. Das categorias que mais cresceram, tivemos o de Criptomoedas (86%), Câmbio e Remessas (55%) e Seguros (37%), segundo o Radar Fintechlab.


De acordo com a Pesquisa Fintech Deep Drive 2018, 41% das fintechs não receberam nenhum investimento, sendo que destas, mais da metade já alcançou o break even point (o chamado ponto de equilíbrio financeiro de uma empresa).


Photo by Luke Chesser on Unsplash

O que esperar em 2019?

O ano de 2019 tende a ser mais um ano de crescimento para as fintechs. Devem-se observar os bancos e as tradicionais instituições financeiras tendo maior movimento frente a estas novas iniciativas, sob duas formas: compra de fintechs que já existem (algo parecido com a compra da XP pelo Itaú), ou desenvolvimento de suas próprias fintechs (como foi o caso do Next, banco digital criado pelo Bradesco). Isso acontece como um movimento dos bancos para evitar perda de clientes e conseguir competir no mesmo nível das startups financeiras.


Bancos e instituições financeiras tradicionais terão maior movimento frente às iniciativas, tanto na compra de fintechs que já existem quanto no desenvolvimento das suas próprias financial technologies.

O ano de 2019 deve manter uma nova fase que começou em 2017, quando até então muitas fintechs tinham dificuldades para conquistar clientes, e, utilizavam o modelo de parcerias para conseguir crescer. A nova fase ficou marcada pelo emprego de tecnologias inovadoras com foco nos sistemas internos, para aumentar a eficiência operacional, aprimorar e expandir a oferta de produtos e serviços.


Um dos novos focos de boa parte das fintechs é criar iniciativas para conquistar uma nova base de clientes, que muitas vezes, ainda utilizam os serviços e produtos tradicionais, mas que também não estão tão satisfeitos.


Outro ponto que deve continuar em crescimento no ano de 2019 é o número de investidores. Até pouco tempo atrás, com exceção da Caderneta de Poupança, investir era algo muito restrito, por conta de valores elevados, inacessibilidade e falta de conhecimento. Com o fortalecimento das fintechs, investir tornou-se algo acessível, tanto pela praticidade (por ser feito tudo no mundo digital), tanto pela redução dos valores mínimos, e com diversas opções. Apesar de ainda baixo, o número de investidores no Tesouro Direto, por exemplo, e também de CPF’s cadastrados na Bolsa de Valores vem tendo sucessivas altas. Além disso, ações das Corretoras de Investimentos, com a contratação de famosos para fazer propagandas, iniciativas nas redes sociais e, a redução da taxa de juros (que faz com que os investimentos mais tradicionais remunerem menos) continuarão favorecendo o aumento da população investidora. Esse fenômeno pode ser visto como um empoderamento financeiro da população.


Com o fortalecimento das fintechs, investir tornou-se algo acessível, tanto pela praticidade (por ser feito tudo no mundo digital), tanto pela redução dos valores mínimos. Esse fenômeno pode ser visto como um empoderamento financeiro da população.

Outro cenário que deve continuar forte em 2019 é a adesão às fintechs por parte dos públicos mais novos, que muitas vezes estão abrindo mão, desde cedo, dos serviços tradicionais. As novas gerações são marcadas por serem formadas por nativos digitais, que valorizam a mobilidade e conexão. O celular já é muito utilizado para compras, redes sociais, e, cada vez mais, para os serviços financeiros.


Por conta da globalização e do mundo digital, também se espera que cada vez mais as fintechs brasileiras comecem a aparecer em outros países. Algumas já possuem planos de internacionalização, sendo que o principal alvo são os países da América Latina, por conta das afinidades culturais e de mercado.


Na parte de tecnologia, as tendências para o setor em 2019 são avanços na inteligência artificial, cyber security, Blockchain e Internet of Thing (IoT). Além disso, por conta da distribuição os serviços bancários migrando os canais tradicionais para os digitais, o chamado Open Banking (compartilhamento seguro dos dados financeiros dos clientes) é uma boa oportunidade para as fintechs adquirirem novos clientes e buscarem parcerias com os bancos.


Para as fintechs, o ano de 2019 será mais um ano para quebrar algumas barreiras que impedem um crescimento ainda maior, sendo as principais barreiras a dificuldade de atrair bons profissionais e investimentos, aumentar sua visibilidade e escala operacional e cumprir as exigências regulatórias. Há também o fator da mudança de governo, que trocará a presidência do Banco Central, mas que, pelos discursos, visam aumentar a independência do mesmo, o que não deve impactar muito nas fintechs.


Para as fintechs, o ano de 2019 será mais um ano para quebrar algumas barreiras que impedem um crescimento ainda maior, sendo as principais barreiras a dificuldade de atrair bons profissionais e investimentos, aumentar sua visibilidade e escala operacional e cumprir as exigências regulatórias.

Ainda há muitas oportunidades para o crescimento destas empresas. Por exemplo, 82% do total de ativos ainda está concentrado nos cinco maiores bancos do país. Além disso, um terço da população adulta ainda não tem acesso a serviços bancários.

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