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Uruguai irá iniciar pesquisas com cânhamo

Fibra de cânhamo, extraída do caule da Cannabis. Foto: Wikipedia

O Estadão noticiou recentemente que o Uruguai irá desenvolver e fomentar pesquisas acerca do uso do cânhamo para fins industriais, a partir da regulamentação do consumo da maconha. A lei, que foi aprovada no fim do ano passado mas que ainda não entrou em vigor, permite a destinação industrial da Cannabis com menos de 1% de THC, seu componente psicoativo.


O cânhamo é uma fibra natural extraída do caule da Cannabis, a planta da maconha. Possui resistência cinco vezes maior que a do algodão e bastante semelhança com o linho em suas propriedades. Para fins têxteis, a fibra pode ser utilizada tanto sozinha ou combinada com outras fibras, como o algodão e a seda. Por seu cultivo ser feito sem o uso de agrotóxicos, alguns a classificam como “fibra sustentável”. O seu caule também pode ser utilizado na indústria de papel.
Apesar da polêmica em torno deste cultivo, estão à venda (inclusive no Brasil) diversos produtos têxteis que utilizam o cânhamo como matéria prima, pois alguns países da Europa e a China já cultivam a Cannabis com até 0,3% de THC para fins industriais. A empresa alemã Adidas, por exemplo, lançou nos anos 90 um modelo de tênis feito com fibras de cânhamo, o Adidas Hemp, e devido a sua tamanha popularidade, o comercializa até hoje.

Anúncio do Adidas Hemp, que utiliza o cânhamo como matéria-prima.


Apesar de possuir condições de clima e solo favoráveis, o Brasil não produz fibra de cânhamo, pois nossa legislação não permite o cultivo da Cannabis, nem para fins industriais ou de pesquisa. Mas mesmo sendo inevitável a associação do cânhamo à produção/consumo de narcóticos, neste caso o Uruguai está interessado no seu desenvolvimento tecnológico industrial, então vale ficar de olho nos nossos vizinhos e esperar os rumos que estas pesquisas irão tomar.

Layla Mendes
Pesquisadora de Coolhunting e Mestranda em Design de Comunicação de Moda na Universidade do Minho – Portugal.

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